Coordenador científico do Flamengo fala sobre o CEP.
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Foto: Flamengo / Gilvan de Souza |
EXTRA GLOBO: Na semana de estreia no Brasileiro, o Flamengo não terá o anúncio de nenhum reforço, mas aposta em seu principal investimento na temporada: o Centro de Excelência em Performance (CEP). Coordenador científico do clube, Daniel Gonçalves explica como a estrutura multidisciplinar no Ninho do Urubu pode ser itinerante em um ano de viagens. E fala do desempenho do time, especialmente de Guerrero.
– A gente já identificou situações que ele (Guerrero) tem que trabalhar, no Brasileiro ainda vai evoluir, ter uma fase ascendente. Com certeza não está no pico. Na parte física ainda pode evoluir – explicou Daniel Gonçalves.
CONFIRA A ENTREVISTA:
O CEP vai ser o maior reforço do Flamengo no Brasileiro?
Não é um processo a curto prazo, não é só ter estrutura física. É treinar os profissionais, criar a metodologia do que é o clube, conscientizar os jogadores. Já podemos perceber melhorias, como um número bem reduzido de lesões. Não teve um caso de posterior de coxa, a lesão do pique, que é comum. Isso é fruto do trabalho de investigação e preventivo. A gente troca pneu com carro andando. O Flamengo precisa da vitória, não pode passar 22 rodadas, tem que ganhar logo.
Mas o campeonato que se inicia vai ter um time voando?
Se o objetivo é prevenir lesão e acelerar recuperação, vamos ter ganho. Se a gente conseguir que o número de atletas lesionados diminua, será bom. Outro ponto é acelerar a recuperação no desgaste de viagens, para não prejudicar o desempenho.
O clube investiu na estrutura, mas vai poder levá-la para Brasília, e em jogos como visitantes?
Quando tem essa logística de viagem, a rotina é específica. Em um local de alta temperatura, seguimos um protocolo de hidratação e controle baseado na urina e na massa corporal. Vai jogar em Fortaleza, num voo corujão, não dorme direito. Aí vem a conduta recuperativa no avião, após o jogo. No dia seguinte, no CT, verificamos se o atleta teve uma boa noite de sono. A atribuição do CEP é fazer o diagnóstico para ter as condutas individualizadas.
Então está preparado para a maratona?
Fisicamente, um mês de pré-temporada não deixa o atleta no ápice. Em três meses, chega ao nível de competição. A gente se baseia no monitoramento de campo. O time já tem padrões para competir. Isso pode oscilar na temporada, pelo acúmulo de jogos. Mas hoje já se encontra no nível para iniciar de igual para igual. E ainda vai melhorar.
E os jogadores estão conscientes dessa metodologia, já está no sangue?
O atleta se pesa e dá uma nota de cansaço. No fim do treino também. Todo dia. É a conscientização. De manhã a gente envia para eles uma mensagem para ver se dormiram bem, se estão com dor. E antes de chegar já se sabe a conduta que vai realizar. O treino é elaborado com a intensidade calculada.
Os relatórios de hoje são bons mesmo sem resultados no campo?
Se o resultado não vem, não está tudo errado. O Flamengo está dando um gigantesco passo em termos de tecnologia, construção de CT.
O relatório do Guerrero é que nota?
Está evoluindo, e vai evoluir ainda mais. Com certeza não está no pico. Se podemos tirar 100%, por que vamos ficar satisfeitos com 80%?