Quando falta brilho, sobra raça
Por Tiago Machado
Logo assim que liguei a televisão, faltando 10 minutos para a partida começar, vi que a torcida do Fortaleza estava ensandecida, o que, aliás, é bem comum entre as torcidas que vão ver seus respectivos times jogarem contra o Flamengo. Parece que o clube carioca desperta o sentimento mais viril em seus torcedores rivais. Diante de um público de 50 mil torcedores, com direito a um hipócrita mosaico 3D, digo hipócrita, pois, até pouco tempo atrás, o Fortaleza iniciou uma campanha contra atos de preconceito nos estádios, o que em suma, é algo louvável e deve ser exemplo para outros clubes, mas a hipocrisia começa quando o mesmo Fortaleza resolve fazer uma campanha contra os chamados torcedores ‘’mistos’’ flamenguistas. Quem está sendo o intolerante agora? Tremenda bola fora do clube nordestino.
De misto mesmo só tinha o time do Flamengo, que contava com cinco desfalques. Jogo iniciado, cerveja aberta e pronto para ver mais um espetáculo do Mengo. Ledo engano! O time começou mal, parecia lento, sem intensidade quanto tinha o domínio da bola, e deixando muitos espaços para a equipe rival. A única válvula de escape do Flamengo era pela esquerda com Vitinho, que não levava tanto perigo. Ao final do primeiro tempo, em sua melhor chance, o Flamengo quase abriu o placar com o garoto Reinier. Vitinho cruzou e o menino de 17 anos ajeitou e chutou, mas a bola que ia em direção ao fundo das redes foi interceptada por Paulão.
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Jorge Jesus comemorando vitória com os jogadores do Flamengo – Foto: Pedro Martins |
Depois do broxante primeiro tempo, renovei minhas expectativas para a segunda etapa, mas bastou os primeiros cinco minutos iniciais para eu ver que a equipe voltara da mesma forma. Em alguns momentos parecia a equipe de Abel Braga. O meio campo Flamenguista parecia não existir, Gérson claramente estava sentindo a sequência de jogos, Reinier estava apagado, era comum ver Gabigol voltando quase no grande círculo para buscar a pelota. O Flamengo abdicou das jogadas pelo meio e concentrou seus tentos pelas pontas. O chuveirinho tinha voltado. Para piorar de vez, em jogada do Fortaleza pela direita, a bola bateu na mão do zagueirão Pablo Marí, o juiz marcou pênalti e a equipe nordestina converteu, 1 a 0 pros caras.
O Flamengo tinha maior posse de bola, tinha vontade, mas faltava demonstrar raça para buscar o placar. E ela veio. Rodrigo Caio cabeceou e a bola bateu na mão de Quintero. Pênalti para equipe Rubro Negra. Mesmo desfalcado, e sem o brilho que estamos acostumados a ver nos jogos do Flamengo, a equipe carioca resolveu honrar seus 14.500 torcedores que foram lhe apoiar no Castelão. Gabigol bateu o pênalti e deixou tudo igual. O relógio já apontava para quase 40 minutos da segunda etapa. Parecia que o jogo terminaria com um empate, mas o Flamengo sabe que para ser campeão, o DNA vencedor tem que prevalecer. Foi então que a equipe carioca decidiu se superar, e aos 42 minutos, em jogada de lateral devidamente ensaiada, o Flamengo virou o placar com gol da cria, Reinier. O moleque tem futuro!
O Juiz apitou o fim do jogo. E que jogo! Não teve brilho, não teve golaços, não teve um bom futebol, mas teve pinta de um Flamengo cada dia mais com jeito de campeão, e é em jogos assim que se ganha campeonato. O time de Jorge Jesus caminha a passos largos para fazer história, e história essa que está passando diante de nossos olhos, que quando não dá na técnica, vai na vontade, vai no sangue, vai na luta, vai na raça!
SRN! #VamosFlamengo